Se eu compactasse com belos selos
não só as cartas
mas também a fronte de nossas duas faces
escorreria um beijo
renascendo as flores mortas
do jardim dos exilados
pelas guerras perdidas.
Se eu te despisse agora
com as curvas de meus selectos lábios
cicatrizaria as imperfeições da pele sua
curando nossas carnes
moles pelo cansaço
dessa nojenta guerrilha alada.
Eu, o refugiando no abrigo
do envoltar de meus escuros fios compridos.
Você, revestindo-se de meu ventre delicado.
E se tudo isso acontecesse certo
os Ventos desceriam sedas beges
cobrindo o sangue dos outros
nos campos de lodos.
E eu sei,
isso bem sei,
que as neblinas se dissolveriam para você me ver
e as últimas árvores desceriam as folhas para eu passar
indo te bucar.
Mas são meus braços o martírio alvo
que não te alcançam.
Não alcançarão.
Mais um desejo apenas desejado.
Mais uma nova carta enviada junto com as outras
mil quinhentas e onze velhas cartas.
Guerrilha de 1.512
Por
Brenda de Oliveira
em
24.8.08
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Estranho Abril
Abro Abril.
Abro a janela.
Vejo,
jorrou caju em meu terreiro.
Um véu negro de luto
por quase tudo.
Na causa da mancha, sangue de cajus
no azulejo de um chão que testemunha céus.
E penso,
Quem, nesses tempos, está punindo esta casa,
os deuses
ou o Cajuzeiro?
Por
Brenda de Oliveira
em
9.8.08
3
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