Antepenúltimo Poema

Em quarto preto e branco.
Xadrez.

Rei e Rainha,
rosto colado
fios e pelos dados
mãos nos cabelos
peitos em beijo
sono em reino
sonho de travesseiro.

Luz aberta em som.
Os dois sem cor
mas com tom.

Como se fosse sempre a penúltima vez
ou antepenúltima
mas nunca a última,
Amor.

Quadro


Folha. Pata.
Tronco, chão.
Casco e o cavalo.
Bosque e mão.

Entre esquadros, meu rosto pálido
enquadrado,
a moldura tampa minha visão dos lados.

Além do mais,
porque os olhos se enganam
e as coisas dizem além do que um olhar certo pode enxergar.
A pintura já constatou, mas ninguém viu,
que a visão ainda não ganhou olhos de presente.

Bem Breve

Meu traveseiro hoje suspirará
nenhuma lágrima minha nesta noite
o acordará.

O amanhã virá e acordarei bem
sem lembrar de seu nome
e nossos cognomes.

Mas..