Olhe, não tenho mais olhos.
Lá fora amanhece um céu tão o oposto comigo, tão bonito,
tão ao contrario do que sinto.
Em visita mal-vinda,
tua dúvida formando minha dúvida,
desgastando as forças que cicatrizam feridas.
Ainda, sinto a tua respiração em cada pausa
de cada palavra
mostrando o som da falta
de quereres comigo.
Espero o ato. O Dia do Não.
Intuição?! Nem precisa,
pois tudo que dizíamos soava partida.
“Não vá embora” Queria dizer.
E te puxar, agarrar, mas como seria mal ver!
Mas meu bem, não sei mais fazer pose para poesia,
não vou dizer nenhuma palavra que mude teu dia,
nenhum ato que empeça a tua partida.
Como há de sentir,
quando a fala cala
quando a mão agrada?
Você,
conhecendo meu choro.
Lá vem Maio
despetalando-me.
Chegada.
Por
Brenda de Oliveira
em
27.5.08
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Espera.
Sempre tive fadiga , desde após meu parto,
após o primeiro joelho ralado,
belas visões em quartos,
e choro calado.
Não é difícil do erro sangrar
depois que se aprende a chorar.
Virei objeto de espera.
Então apreça, me desassossega.
Beijar teu olho
Entoar teu coro
Suavizar teu verso.
Fadiga, fadiga. Isso me faz entortar.
Não por não ter abrigo
é por não caber no maior teto mesmo sendo o menor possível.
Saudade é saber nada quando o mais latente está a alma.
E ainda há muito do seu ato não cometido
que tem de ser por mim adquirido.
Ainda há um canto do corpo seu
por meus dedos não cobrido.
Detalhes ainda não vivido de um amor vivo.
Então apareça,
me aqueça,
em nossa terra do Cerrado frio.
Por
Brenda de Oliveira
em
19.5.08
3
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