Quadro


Folha. Pata.
Tronco, chão.
Casco e o cavalo.
Bosque e mão.

Entre esquadros, meu rosto pálido
enquadrado,
a moldura tampa minha visão dos lados.

Além do mais,
porque os olhos se enganam
e as coisas dizem além do que um olhar certo pode enxergar.
A pintura já constatou, mas ninguém viu,
que a visão ainda não ganhou olhos de presente.

4 comentários:

Anônimo disse...

Visceral! Quero morder essa poesia, me dá uma mão?

Lindo...

Cristiano Siqueira

Luna disse...

Há tempos que eu não passava por aqui. Cada vez mais belo.

;*

Dario Duarte disse...

"a moldura tampa minha visão dos lados" - Lindo.

O melhor é que na primeira estrofe o ritmo parece de trote de cavalo. Os cascos ritmados batendo no chão.

Ana Lívia Brasil disse...

Perfeição no olhar e talento ao escrever...
Poesia retrato.. as palavras estão imortalizadas.

Parabéns!

Beijos
=)