Chegada.

Olhe, não tenho mais olhos.

Lá fora amanhece um céu tão o oposto comigo, tão bonito,
tão ao contrario do que sinto.

Em visita mal-vinda,
tua dúvida formando minha dúvida,
desgastando as forças que cicatrizam feridas.
Ainda, sinto a tua respiração em cada pausa
de cada palavra
mostrando o som da falta
de quereres comigo.
Espero o ato. O Dia do Não.
Intuição?! Nem precisa,
pois tudo que dizíamos soava partida.
“Não vá embora” Queria dizer.
E te puxar, agarrar, mas como seria mal ver!
Mas meu bem, não sei mais fazer pose para poesia,
não vou dizer nenhuma palavra que mude teu dia,
nenhum ato que empeça a tua partida.

Como há de sentir,
quando a fala cala
quando a mão agrada?

Você,
conhecendo meu choro.
Lá vem Maio
despetalando-me.

3 comentários:

mayra. disse...

que coisa mais linda, brendinha.
e triste, como quase toda beleza que se preze.

Dario Duarte disse...

Maio despetalando. É quase cruel, mas é lindo. Esse céu, "tão ao contrario do que sinto", faz a gente se sentir vivo. "e triste, como quase toda beleza que se preze" como disse essa menina aqui, ó.

kamila disse...

Foi o melhor...

(vc sem sua pose na poesia ficou muito bom...)