Ceia

O jantar está na mesa.
Fatias de você no prato,
à sua frente,
ainda gritando, gemendo
contorcendo,
derramando sangue infindável.
Faz de dedos algo que corta.
Se dobra, abre e desdobra.
Em um susto não surpreendente
vira do avesso.
Se dando à ceia
para um tempo sem data.
Ser poeta:
vomitar a falta que lhe preenche.

Bendito Seja o Título

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Sou casta. Eu sei...
É que há uns vinte anos a programação de meus sábados
é desvirginar palavras novas.