Em corpo e ar

Sento
em qualquer beira
qualquer canto
vento
banco.
E me faço cadeira.

Eu, quase intacta
quase dura.
Serena
esfolio meus lamentos
de minha madeira.

Eu
me envernizando

_Que foi com seus olhos?
_Estava chorando.
_Por que?
_Por que sou aguada.
_E o que isso tem a ver?
_Tudo e nada.
_Deixa disso, vai. Vem cá...
_Esqueceu os de mim? Eu não esqueci que chuva desagua mares em conta-gotas nesses meses de setembro.
_Ôôôh, Miriam. Você diz coisas tão bonitas.
_Larga de bobagem! Não estou aqui para dizer coisas bonitinhas.
Isso é serio.
Amor é saber afogar em sertões. Mas eu sou mar e estou longe disso. Tão longe...

Infância

Quando se faz curiosa de si e entre visões de um mundo que se tem só seu, na ponta dos pés desfiz de meus pudores sem receio do que há de ser e vir.
Descarreguei nos brinquedos muitas vezes o fingimento de brincar para poder entrar em meu particular sem ter culpa.
Que já tão cedo fiz da minha solidão um acalento e de sonhos um deslizamento para o cotidiano natural. Os fatos não são meus mas o que está na memória ainda mais daquilo que não aconteceu isso sim é de ser muito meu e apesar de gostar dos ‘sim’ o ‘não’ também é de mim, que até hoje não me sou arrependimento.
Fiz de minha infância uma zona de serenidade em qualquer modo de pensamento e ato a ponto de não preocupar com o medo de imaginar, descobrir e ouvir e desde já rasguei com cílios minhas censuras.
Eu me aceito.