Mistério é coisa de quintal.
Vivendo
Não sou os meus escritos,
mas eles são eu.
Não penso que escrever é tudo.
Não penso que pensamento em papel é nada.
Escrever é quase.
Pois, inteiro não significa intenso,
um pouco não diz que está falhado.
Não quero coisas que se dividem em termos,
quero termos que não se dividem.
Sou sopros dentro de sopro
dentro do espaço de mim.
Espalhada.
Espalhando-se.
Não há medida e finalização em ser enquanto se é.
Um Ser não se traduz.
Não sou meus escritos,
mas eles são eu.
Não sei quem sou (o Não Sei me salva. Não sei é sagrado)
Escrevo pela busca do Eu.
Escrevo pela busca do Não Sei.
Vida é busca.
Por
Brenda de Oliveira
em
15.8.07
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Estrada
Lutava contra o sono. Nervos, neurônios, músculos lutando contra o fechar das pálpebras (tanta força, tanta coisa sua e não consegue impedir uma pequena pele tão delicada e sensível de se mover.)
O ato da pálpebra foi impedido ao ouvir ele mascando chiclete (um ruído, um barulhinho consegue o que vc toda não consegue). Ela odiava o modo que ele mascava, não o barulho, era o modo mesmo, as contorções da boca. E ele odiava ainda mais a expressão de ódio dela incomodada com um ato seu. Mas fingiam que um e outro não se incomodavam e muito menos que ambos sabiam que ambos fingiam.
A estrada percorria os quilômetros giratórios dos pneus do carro.
Ela gostava do modo que o cabelo dele se movimentava ao encontro com o vento.
Sim, ela ainda o achava tão bonito quanto antes, mesmo tendo quase idade para ser seu pai.O mesmo vento que cariciava o cabelo dele batia na sua cara e não a deixava esquecer. Dessa vez ela não se conteve:
_Sinto falta de quando eu sentia falta das coisas e pessoas que me faltavam....
Olhou para ela.
_...e nada ficou no lugar para substituir aquela falta que não existe mais.
Chegamos a um ponto que não nos chega mais sonhos e pessoas. E isso não é bom.
É tanta completude que chega incompleta.
Você já não é mais tão você e eu estou tão eu e só eu que não há mais como você me comparar à flor, espinho e precipício. Muito menos pular nele e se afogar, imundar. Não há mais em que morrer e se perder.
Ele não dizia nada.
_Me deixe no hotel mais próximo e siga só com você mesmo.
_...eu te amo.
_Eu te amo também! O que em mim te odeia é esse amor, não eu!
_Mas...
_Tenho que tirar férias disso... Não posso mais, não posso.
Ele não retrucou. Já tinha retrucado, discutido, insistido demais.
_Por quanto tempo?
_O tempo que durar para você jogar fora todos os relógios do mundo, amor.
...
Logo, ela ficaria para ir.
E ele iria para ficar em algum lugar.
Enquanto isso, o que preocupava era a estrada, querendo tirar férias desse asfalto de viajem...
Por
Brenda de Oliveira
em
10.8.07
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Vale dos Olhos
Dedos na ponta do céu.
O vento está rouco.
Rouquidão.
É a voz nos vales
das palavras que pensei em dizer.
Mas só serão ditas na oportunidade em sangrar
quando eu falar.
Nosso amor-de-adeus,
dói bem mais que um olhar.
Por
Brenda de Oliveira
em
8.8.07
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Depois dela aprendeu a chorar.
Foi tanto aprendizado que se perdeu...
Virou o próprio choro.
Um Corpo chora
Um Choro descorpora.
E lá se vai:
Pedacinhos dele
deslizando sobre a lágrima.
Por
Brenda de Oliveira
em
6.8.07
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