Ceia

O jantar está na mesa.
Fatias de você no prato,
à sua frente,
ainda gritando, gemendo
contorcendo,
derramando sangue infindável.
Faz de dedos algo que corta.
Se dobra, abre e desdobra.
Em um susto não surpreendente
vira do avesso.
Se dando à ceia
para um tempo sem data.
Ser poeta:
vomitar a falta que lhe preenche.

5 comentários:

kamila disse...

São poemas e palavras que se deglutem... minha flor!

Vandré Abreu disse...

Muito bom! Poetas são sempre cheios de vazios...

Séfora disse...

=]

mayra disse...

cuidado.
a poesia quase sempre vem acompanhada de gastrite, dona brenda.

Anônimo disse...

Belo!

Cristiano Siqueira