Lutava contra o sono. Nervos, neurônios, músculos lutando contra o fechar das pálpebras (tanta força, tanta coisa sua e não consegue impedir uma pequena pele tão delicada e sensível de se mover.)
O ato da pálpebra foi impedido ao ouvir ele mascando chiclete (um ruído, um barulhinho consegue o que vc toda não consegue). Ela odiava o modo que ele mascava, não o barulho, era o modo mesmo, as contorções da boca. E ele odiava ainda mais a expressão de ódio dela incomodada com um ato seu. Mas fingiam que um e outro não se incomodavam e muito menos que ambos sabiam que ambos fingiam.
A estrada percorria os quilômetros giratórios dos pneus do carro.
Ela gostava do modo que o cabelo dele se movimentava ao encontro com o vento.
Sim, ela ainda o achava tão bonito quanto antes, mesmo tendo quase idade para ser seu pai.O mesmo vento que cariciava o cabelo dele batia na sua cara e não a deixava esquecer. Dessa vez ela não se conteve:
_Sinto falta de quando eu sentia falta das coisas e pessoas que me faltavam....
Olhou para ela.
_...e nada ficou no lugar para substituir aquela falta que não existe mais.
Chegamos a um ponto que não nos chega mais sonhos e pessoas. E isso não é bom.
É tanta completude que chega incompleta.
Você já não é mais tão você e eu estou tão eu e só eu que não há mais como você me comparar à flor, espinho e precipício. Muito menos pular nele e se afogar, imundar. Não há mais em que morrer e se perder.
Ele não dizia nada.
_Me deixe no hotel mais próximo e siga só com você mesmo.
_...eu te amo.
_Eu te amo também! O que em mim te odeia é esse amor, não eu!
_Mas...
_Tenho que tirar férias disso... Não posso mais, não posso.
Ele não retrucou. Já tinha retrucado, discutido, insistido demais.
_Por quanto tempo?
_O tempo que durar para você jogar fora todos os relógios do mundo, amor.
...
Logo, ela ficaria para ir.
E ele iria para ficar em algum lugar.
Enquanto isso, o que preocupava era a estrada, querendo tirar férias desse asfalto de viajem...
Estrada
Por
Brenda de Oliveira
em
10.8.07
Assinar:
Postar comentários (Atom)
1 comentários:
O amor é uma parta a parte de cada um - criada. Na mente há de tudo, e se desvencilhar de algo é mais fácil que nos parece, complicado é chegar a esse nível de consciência. Muito interessante seu texto. =]
(vi seu blog no orkut)
Postar um comentário